Instabilidade na banca obriga Portugal a pagar juros mais altos
O ‘spread’ nacional atingiu ontem o maior valor desde pelo menos 1997. Irlanda, Grécia e Espanha também foram penalizadas. Pensava-se que o pior já tinha passado e que os resultados dos testes de ‘stress' tinham dado novo alento aos mercados. Mas ontem, em véspera de novo leilão do IGCP - Instituto de Gestão da Tesouraria e do Crédito Público, o ‘spread' da dívida portuguesa face ao ‘benchmark' alemão atingiu o maior valor desde que a Bloomberg começou a registar os dados, em 1997. Quis a ironia do destino que Teixeira dos Santos fosse traído pelos mercados. O ministro das Finanças partiu ontem para a Ásia, onde fará um ‘roadshow' em Macau e Hong Kong, tentando convencer os investidores asiáticos da força das obrigações do Tesouro português. Só que ainda o ministro não tinha levantado voo, já os juros da dívida nacional estavam em escalada, em direcção a máximos históricos. O juro português atingiu ontem os 5,795%. Ao mesmo tempo, o juro alemão continuou a recuar, situando-se nos 2,255%. Isto porque "regressaram os receios sobre a saúde financeira dos bancos europeus, o que originou novamente aversão ao risco", explica Peter Chatwell, economista do Credit Agricole SA, em Londres. E quando o mercado tem aversão ao risco, recorre aos títulos mais seguros, que são os alemães, a maior e mais sólida economia europeia, que por isso mesmo serve de referência à restante dívida europeia – Diário Económico
2010-09-08 09:30
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