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Empresas usam salários para adaptação aos maus ciclos económicos

O salário mínimo nacional e a existência de tectos salariais definidos pelos contratos colectivos não impedem as empresas portuguesas de adaptarem os salários dos trabalhadores às condições económicas adversas.
Na verdade, e de acordo com um estudo levado a cabo por três investigadores do Banco de Portugal, o tecido empresarial tem mais capacidade de adaptar as remunerações dos trabalhadores a ciclos económicos negativos do que se poderia pensar.
Essa flexibilidade é conseguida, essencialmente, à custa da chamada almofada salarial, isto é, a diferença entre o salário pago e os salários negociados nos contratos colectivos.
Esta almofada serve para contornar a "rigidez" imposta pela existência de um salário mínimo e pela existência de tectos salariais definidos na negociação colectiva.
Este mecanismo também funciona como um amortecedor quando há quebras na procura, dando às empresas uma banda de segurança que podem accionar para adaptar os salários à nova realidade económica.
É que uma parte significativa das empresas paga salários acima dos acordados na contratação colectiva, em particular aos trabalhadores mais qualificados.
Contudo, alertam Carlos Marques, Fernando Martins e Pedro Portugal, num contexto de baixa inflação, esta almofada tende a reduzir-se, deixando menos margem às empresas para actuarem ao nível dos salários, em caso de recessão económica.
Os três economistas adiantam ainda que os salários em Portugal reagem fortemente às condições do mercado de trabalho.
O estudo sobre a determinação dos preços e dos salários em Portugal conclui que um aumento de dez por cento na taxa de desemprego provoca uma quebra de um por cento nos salários reais – Público

2010-09-09 09:30

   
 

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