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Alargar a vigência das tabelas
20/09/2019 09:00
Rui Riso
Sempre que encetamos um processo negocial pretendemos que seja tão célere quanto possível, sobretudo porque a concretização da revisão do clausulado ou apenas das tabelas é tão mais eficaz quanto mais rapidamente se aplicar. Acresce que as condições alteram-se (ou podem alterar-se) a cada momento, umas vezes por fatores do próprio setor, outras por razões que não tendo nada a ver com o setor influenciam o decorrer das negociações, normalmente atrasando a sua conclusão.
Quando abrimos as mesas negociais fomos muito claros acerca da vontade e da necessidade de as negociações não se prolongarem além do período estival.
A razão é simples: a experiência bem nos ensinou que quando assim não é dificilmente os processos se concluem antes de finais de novembro, para não dizer dezembro.
É verdade que a aplicação retroage a janeiro, mas não é menos verdade que faz pouco sentido que assim seja. Se outras razões não houvesse, esta seria mais que suficiente para justificar a nossa proposta de negociar para um período mais lato. É uma experiência que tem vindo a ser levada a cabo noutros panoramas, nacionais e internacionais, e é nosso entender ser este um caminho que devemos percorrer.
A banca tem conseguido delinear planos de médio/longo prazo para reestruturar, para reduzir trabalhadores, para conter salários – quer através dos aumentos, quer através de negociações com os sindicatos, sempre em nome da defesa de postos de trabalho. Assim sendo, a banca demonstra capacidade de previsão dos momentos em que os gráficos mudam de direção.
Os exemplos estão aí e os resultados que vão apresentando evidenciam isso mesmo. E se durante muito tempo as imparidades (ou os NPL ou lá o que se queira chamar ao que muitas vezes estava debaixo dos tapetes) justificavam tudo, terão agora obrigatoriamente de estar resolvidas.
De quando em vez convém lembrar que a crise começou em 2008 lá por fora e chegou cá um ou dois anos depois. Convém lembrar tudo o que foi dito então, as recomendações, orientações e imposições que teriam de ser cumpridas para que o nosso sistema financeiro voltasse à normalidade.
Muito mal estaremos se estivermos novamente perante um quadro em que as empresas, bancos incluídos, apresentavam resultados trimestrais em crescendo, fosse à custa do que fosse. Muito mal estaremos se ainda não pudermos levantar os tapetes. É que já passaram dez anos e se, como dizem, as crises económicas são cíclicas…
É exatamente por isso, pela capacidade de previsão da banca e da própria economia, que entendemos ser possível negociar com os olhos postos num horizonte mais distante.