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Mudança de paradigmas nas relações de trabalho implicam nova estratégia
25/02/2019 09:45
Rui Santos Alves

​Distantes vão os tempos em que a banca portuguesa era maioritariamente pública e, por via disso, existia, tendencialmente, alguma uniformização nas relações e condições de trabalho do setor. Longe vão os tempos, também, em que ser bancário era a atividade mais apetecível e cobiçada, não só pelas condições que lhe estavam subjacentes mas, também, pela segurança de vínculo laboral que proporcionava. Numa palavra, era o tempo em que tudo – ou quase tudo – com maior ou menor dificuldade, se conseguia alcançar.

Porém, aquilo que a História sempre nos ensinou é que nada é eterno, nada dura para sempre. A reprivatização das instituições financeiras (nacionalizadas, meramente por critérios políticos, no período mais conturbado da Revolução) e o nascimento de novos bancos privados foram o primeiro indicador de que nada iria ficar como dantes. A economia fechada, estatizante e de pendor eminentemente público dava lugar à economia de mercado, mais aberta e mais condizente com a nossa integração europeia. A lógica do Estado imperativo passava assim, e bem, a meramente indicativa. Este foi, portanto, o primeiro passo para a alteração das relações laborais no setor.
O segundo passo, este mais devastador, teve origem na crise financeira internacional de 2008 que atravessou, transversalmente, todas as economias e à qual Portugal, com a agravante de ser uma economia periférica, não tinha como escapar.
As consequências foram violentas: instituições colapsadas, milhares de postos de trabalho reduzidos, diminuição de alguns direitos sociais, negociações contratuais e salariais complexas e com resultados aquém do que seria desejável.
A circunstância das dificuldades sentidas pela maioria das instituições tem sido o grande argumento invocado para a não reposição daquilo a que os bancários têm direito, sendo certo, e nunca é demais reiterá-lo, que aos trabalhadores bancários não pode ser assacada qualquer responsabilidade pela crise despoletada.
Por outro lado, tem-se vindo a constatar, progressivamente, que os bancos estão a utilizar um conjunto de mecanismos internos, designadamente a atribuição de incentivos e prémios comerciais, como forma de contornar a concessão de maiores aumentos salariais à generalidade dos trabalhadores. Esta prática prejudica não só os trabalhadores que exercem a sua atividade no backoffice como, também, os trabalhadores reformados que não veem as suas pensões aumentadas com o mínimo de dignidade.
É, portanto, perante este novo paradigma de comportamento das instituições que o SBSI tem de redefinir e reorientar a sua estratégia de atuação. Com firmeza, empenhamento e realismo.