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O sindicato nacional e o soldado de passo trocado
28/01/2019 09:30
Rui Riso

Certamente muitos de vós ouviram contar a história do soldado que marchava de passo trocado e, pensando que ia bem, repreendia os outros por não acertarem o passo com ele.

O que se está a passar com a unificação dos sindicatos da FEBASE não andará muito longe disso, senão vejamos:
Os estatutos elaborados por representantes das tendências em exercício nos cinco Sindicatos e que mereceram a aprovação de todas as cinco Direções, sempre previram que a sede fosse em Lisboa, à semelhança do que acontece com a FEBASE. Os dirigentes do Norte não só nunca puseram em causa a localização, como a aprovaram. Espanta, pois, que agora rejeitem em absoluto a localização da sede do sindicato nacional.
O património dos Sindicatos foi alvo de avaliação sumária baseada nas cadernetas prediais apresentadas pelos Sindicatos, donde se concluiu que o património do Sul e Ilhas é o mais valioso, havendo ainda a acrescer o valor dos licenciamentos para as atividades que desenvolvem. Hospital, hemodiálise, Centro Clínico com radioterapia e fisioterapia, e tudo o mais respeitante à saúde, bem como também o parque de campismo, são apenas os licenciamentos mais valorizados, mas a lista podia continuar sendo que todo o património está livre de quaisquer ónus ou encargos.
Auditorias às contas: as contas do SBSI são públicas e auditadas pela Deloitte, que foi a empresa escolhida por quatro dos cinco Sindicatos da FEBASE para nos acompanhar neste processo. O Norte manifestou dúvidas sobre a capacidade técnica dos auditores mas não apresentou alternativa, comunicando apenas que tem as contas certificadas por um ROC que também as terá auditado(?).
O Norte diz que primeiro deveria ocorrer a unificação do SAMS, mas nunca disse como queria fazê-lo, ou melhor, queria partir de uma unificação de regimes antes da unificação, sabendo à partida que o caminho tinha de ser o inverso.
Quatro dos cinco Sindicatos da FEBASE têm o mesmo apoio jurídico por parte de uma sociedade de advogados com manifesta experiência em fusões e aquisições. O Norte dispensou esse apoio.
O Norte diz agora que a FEBASE não funciona nem funcionou. Ao logo dos anos que a FEBASE leva de existência, nunca o Norte apresentou qualquer proposta de alteração ao funcionamento. Ao contrário, opõe-se à alteração do modelo de financiamento, de que tem sido largamente beneficiário.
O Norte tem desenvolvido o seu argumentário contra o Sul e Ilhas. Pela sede, pelas contas, pelo património, por desrespeito para com o Sul e Ilhas e por desrespeito para com aqueles a quem disse em pelo menos dois manifestos eleitorais que queria unificar os Sindicatos.
O Norte ignora olimpicamente que o SBSI, tendo 65% e da despesa por ter 65% dos sócios, abdicou da hegemonia que daí resulta para ter 50% do poder de voto. Não é o poder que nos move.
O Norte faz comunicados a apelar ao “não”.
Quem assim procede anda de passo trocado. Decididamente, não percebeu nada do que se está a passar no setor financeiro há mais de dez anos.
Quem assim procede não percebeu que os interesses dos que representamos estão muito além de qualquer outro interesse, seja regional, individual ou de quaisquer grupos.
Sim, os interesses dos que representamos estão em primeiro lugar; sim, queremos um sindicato nacional; sim, queremos unificar os Sindicatos.