SharePoint

Austeridade acentua desigualdades de rendimento

24/07/2014

Os dados são claros: nos países intervencionados e onde as medidas de austeridade foram uma realidade bastante dura, a desigualdade de rendimentos sofreu um aumento significativo, que levou igualmente a um declínio do PIB.

 

Portugal era, em 2011, um dos países europeus com uma distribuição de rendimentos mais desigual, atingindo 34,5% no coeficiente de Gini (medida de desigualdade), acompanhando pela Letónia e Espanha (35,9% e 35%, respetivamente). A Eslovénia apresentava o coeficiente de Gini menor, com 23,7%.
Em comparação com 2009, a média da União Europeia subiu 1 ponto percentual: 0,8, no caso português.
O gráfico seguinte mostra a evolução do indicador de desigualdade em Portugal, Grécia, Espanha e Irlanda, entre 2003 e 2011. O efeito da crise é claro para os três primeiros, enquanto na Irlanda a situação começa a melhorar a partir de 2010.

No entanto, para os países do sul da Europa, é a partir deste ano que o aumento da desigualdade se torna mais evidente.

 

fig2.png 

 

Fosso entre ricos e pobres

 

O índice S80/S90 é calculado entre os 20% da população com maior rendimento e os 20% com o nível de rendimento total mais baixo.
Em 2011, Portugal foi o sexto país com maior diferença entre ricos e pobres (5,8), apenas superado por Espanha (7,2), Grécia (6,6), Letónia (6,5) e Roménia (6,3).

No extremo oposto encontrava-se a Noruega, com 3,2. Verifica-se assim que os países do norte da Europa apresentam níveis mais baixos de desigualdade de rendimentos. De referir ainda que a média dos 27 Estados-membros é de 5,1.

 

fig3.png 

Em Portugal, entre 2004 e 2009 houve uma redução sustentada da desigualdade, mas a partir daí a tendência é claramente de mudança, tendo o índice entre os 20% mais ricos e os 20% mais pobres aumentado a cada ano.
A mesma situação verificou-se na Grécia, com um aumento de 0,6 pontos percentuais, e na Espanha, com uma subida de 2 pontos percentuais, embora no caso espanhol o ano de 2012 tenha conhecido uma diminuição deste índice em 0,9 pp.
Neste grupo específico de países, a Irlanda é a única a permanecer abaixo da média dos 27 Estados-membros.

 

fig4.png 

 

O antes e o depois de 2009

 

O índice S90/S10 é calculado a partir da diferença entre o rendimento recebido pelos 10% da população com maior rendimento e o recebido pelos 10% da população com menor rendimento.
O fosso na desigualdade entre estes dois grupos foi conhecendo uma descida até 2009, mas a partir daí Portugal sofreu um aumento na ordem dos 1,5 pontos percentuais.
Em 2012, o rendimento dos 10% mais ricos situava-se nos 10,7 pontos percentuais, em comparação com os 10 pp de 2011. Portugal não atingia um valor tão elevado desde 2006.
Estes valores indicam claramente que existe um antes e um depois de 2009.

 

Os reflexos no PIB

 

A crise nos países do sul da Europa, acentuada pelas medidas de austeridade, fez mossa no PIB per capita dos respetivos países. No gráfico seguinte, é evidente o efeito da crise em Portugal, Irlanda, Grécia e Espanha, entre 2001 e 2012.

No caso irlandês, assistiu-se a um aumento até 2007, entrando em declínio a partir daí, o mesmo verificando-se nos restantes países.
Portugal foi o país com a menor variação do PIB per capita neste período mas, nos últimos dois anos, a tendência é de queda. Em 2012, Portugal sofreu uma queda de quatro pontos percentuais comparativamente a 2010.