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Editorial

A demografia, a contratação coletiva e a responsabilidade social

10/07/2018

Também as empresas, que hoje tanto apregoam nos seus balanços sociais a implementação de medidas de responsabilidade social, o façam efetivamente no que respeita à gestão dos recursos humanos

Carlos Marques

Foram recentemente publicadas estatísticas por parte do Instituto Nacional de Estatística que apontam para uma redução da população portuguesa nos próximos 40 anos, que perspetivam num cenário conservador uma redução de cerca de 2 milhões de habitantes, podendo, no cenário mais desfavorável, chegar essa redução a menos 4 milhões de portugueses. Isto é, passarmos de cerca de 10,5 milhões em 2018, para 6,5 milhões num espaço de pouco mais de quatro dezenas de anos.
Seja qual for o cenário pelo qual sejam olhados estes números, uma verdade subsiste. A população portuguesa sofrerá uma redução muito significativa, a menos que sejam tomadas medidas urgentes e efetivas que permitam controlar a redução e essencialmente inverter esta tendência deslizante e preocupante.
Não são, por isso, de estranhar as recentes tomadas de posição do setor político da nossa sociedade com algumas propostas, por enquanto ainda longe do que se terá de fazer, é pelo menos essa a minha opinião, mas que essencialmente possuem a virtude de despertar a sociedade para este grave problema.
Aqui chegados, importa que ao nível do patamar de intervenção do movimento sindical haja igualmente uma discussão muito séria sobre este tema e de que forma a legislação laboral e o conteúdo da contratação coletiva podem contribuir para este combate, que por agora se afigura desigual.
A introdução de mecanismos complementares de proteção à paternidade e maternidade, uma maior flexibilidade na aplicação de horários adequados ao acompanhamento das crianças, o elevar da consciencialização por parte dos progenitores da importância do envolvimento no crescimento dos filhos, o fim à praga dos contratos precários, permitindo assim uma maior estabilidade aos trabalhadores e trabalhadoras são, estamos certos, alguns dos aspetos onde o movimento sindical pode e deve fazer mais e melhor.
Mas importa, para que isto tenha êxito, que também as empresas, que hoje tanto apregoam nos seus balanços sociais a implementação de medidas de responsabilidade social, o façam efetivamente no que respeita à gestão dos recursos humanos. Saibam cumprir e fazer cumprir os horários de trabalho, não alimentem uma doentia competição, para a qual são atraídos os trabalhadores e trabalhadoras, de ver quem é o primeiro a entrar e o último a sair. É fundamental aqui uma mudança de comportamentos.
Todos não somos demais para contribuir para a mudança.