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Editorial

O valor da negociação

16/10/2018

Na relação com as seguradoras tem existido um caminho de diálogo com as estruturas sindicais e comissões de trabalhadores

Tomaz Braz

Falar para uma plateia tão opulenta como fustigada pela ganância do poder, onde o Excel e a conta bancária têm uma preponderância devastadora na gestão de pessoas e bens, não é fácil.
Posicionar o pensamento, nada melhor como fazer referência à estação do ano em curso; o outono que sucede ao verão e antecede o inverno, caraterizado pelo abaixamento da temperatura, pelo amarelo e queda das folhas, como a mudança da hora.
Após esta breve introdução irei expressar a minha opinião em alguns pontos de importância coletiva e de reflexão onde a pedagogia deve estar sempre presente no nosso dia-a-dia, assim se consolida processos e se recupera valores.

O setor bancário continua prepotente e desregulado, no sentido de decidir na sua omnipotência. Senão vejamos o que tem acontecido com os trabalhadores deste setor, que veem os seus direitos violados constantemente.
O que se pretende na coabitação laboral é o respeito pelo trabalho na sua vertente de regulamentação, seja ACT ou Acordo de Empresa, instrumentos dinâmicos e proativos onde a maioria se deve rever e fazer-se observar. Devemos nortear a nossa missão pelo respeito mútuo com a nossa entidade patronal e não nos anular. Ter opinião ajudará a melhorar e entender o momento de insatisfação, intolerância e outras valências que nos afetam na nossa felicidade e produtividade no dia-a-dia.

No setor segurador a situação é ligeiramente diferente, com os problemas específicos de uma indústria onde o motor da mesma é produzir, numa sociedade que não tem hábitos de proteção e previdência, limitando-se ao consumo obrigatório e de lazer.
Assim sendo, o trabalho é mais árduo. No entanto, na relação com as seguradoras tem existido um caminho de diálogo com as estruturas sindicais e comissões de trabalhadores, no intuito de haver um ACT ou Acordo de Empresa onde os interesses de ambos estejam espelhados.
Nesse sentido os Sindicatos afetos à FEBASE (SISEP e STAS) têm contribuído para uma harmonização das leis laborais, como será exemplo, no dia 26-10-2018, a assinatura do novo ACT com a APROSE, abrangendo um universo de sensivelmente 15.000 trabalhadores, estando outras ações em curso com outras entidades.
Continuamos a fazer a pedagogia da negociação e mostrar a importância dos Sindicatos nestas conversações. Depende de cada um tornar ainda mais fortes os seus Sindicatos.
Ao filiar-se está a dar mais força a quem o defende. O nosso balanço é positivo, o nosso associado é a nossa determinação e dedicação por uma sociedade mais feliz e independente.

Numa democracia, os Partidos são a essência e vitalidade de uma sociedade próspera e soberana. Infelizmente temos assistido a uma degradação dos nossos atores políticos, que começam por defender os seus valores programáticos nas áreas onde estão inseridos, conotados por esquerda ou direita, e rapidamente são corrompidos pelos abutres de uma sociedade sem valores e princípios, fazendo demagogia e levando o seu semelhante à humilhação e anulação, servindo-se e não servindo as suas populações enquanto decisores políticos.
Estamos a atravessar uma fase cor-de-rosa acinzentada que nos embala todos os dias, escondendo a nossa verdadeira realidade. Lembro, sem comentar, o estado da nossa Saúde, da Justiça, do Ensino, da Segurança… enfim, a nossa sina de ser pais de grandes teses com soluções adiadas.
Temos de estar mais vigilantes na busca de novos atores, de novos métodos de fazer política pela verdade, com a missão de servir valorizando a pessoa.
Existe solução para uma sociedade mais justa e próspera em cada um de nós enquanto atores e ativos na busca dos valores básicos que fazem a diferença. A família, a educação, o trabalho, e a saúde. Obrigado...