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Quarenta anos ao serviço dos trabalhadores

13/11/2018

A UGT assinalou o seu 40.º aniversário numa sessão solene que contou com ilustres convidados, entre os quais o Presidente da República, Marcelo Rebelo de Sousa, que atribuiu à central sindical o título de membro honorário da Ordem do Infante D. Henrique

Pedro Gabriel

A bonita idade foi assinalada no dia 27 de outubro, no auditório principal da sede da central sindical, na Ameixoeira.
A sessão contou com intervenções do Presidente da República, Marcelo Rebelo de Sousa, do vice-presidente da Assembleia da República, Jorge Lacão, do ministro do Trabalho, Solidariedade e Segurança Social, José Vieira da Silva, do presidente do Conselho Económico e Social, António Correia de Campos, e do presidente da Câmara Municipal de Lisboa, Fernando Medina.

Compromisso

Carlos Silva referiu que a data marca “40 anos de investimento numa cultura do compromisso, de defesa do diálogo social e da concertação, do investimento na paz e estabilidade política”, num percurso que permite "reafirmar os valores e princípios que nortearam os nossos pais fundadores para que em Portugal se erradicasse o pensamento único, a visão centralizadora e de cúpula desejada por alguns”. “A UGT posiciona-se sempre, sempre, do lado da solução”, reafirmou.

Futuro

Carlos Silva deixou a garantia de que a UGT continuará no mesmo caminho, “bebendo nos princípios da Carta Aberta, na declaração de princípios que aprovou e que se mantém ainda hoje como a espinha dorsal da nossa intervenção sindical”.
A terminar, o dirigente afirmou que a sede da central é um símbolo da vitalidade e da determinação da UGT em ultrapassar dificuldades e galgar barreiras. “Iremos continuar unidos e coesos porque a unidade e a coesão reforçam a paixão dos fortes”.

Triunfos

Para Correia de Campos, ao longo dos anos, a UGT “soube vencer os escolhos” afirmando que a central “afirmou-se como legítima representante de milhares de trabalhadores que preferem a via negocial, pacífica, reformista e cooperante sem perderem as suas armas, mesmo as extremas”.

Esperança

O presidente do Conselho Económico e Social referiu que o contexto da celebração está longe de ser um mar de rosas. “Adensam-se os modelos políticos autoritários ou de democracia condicionada, ganham popularidade temporária os líderes de discurso iliberal e o apelo aos maus instintos”, deixando o pedido para que a solução seja encontrada dentro de casa. “Substituamos a tentação do absurdo pela racionalidade do lento progresso, a criação de factos artificiais pelo debate dos nossos reais problemas e soluções, a violência verbal e a demonstração do nosso protesto na rua pelo apaziguamento negocial e pela concertação”.

Modernidade

O presidente da Câmara Municipal de Lisboa referiu que esta comemoração é, ao mesmo tempo, “um marco de força, de vitalidade, mas acima de tudo de modernidade da UGT”.
Para Fernando Medina, “a UGT não representa no valor da negociação e da concertação uma alternativa menor de exclusão de uma opção política”, referindo que este mecanismo “é indiscutivelmente o modelo que mais faz avançar os países e as sociedades. O modelo que vinga, que está na génese da UGT é hoje um modelo de modernidade e de futuro”.
O autarca destacou a importância da central sindical e dos seus sindicatos na obtenção de acordos, dando o exemplo do combate à precariedade na cidade, da introdução das 35 horas e do acordo na Carris.

Confiança

Já Vieira da Silva explicou que a comemoração “é concretizada num momento complexo mas também de renovação da esperança e da confiança no futuro coletivo” após o período da “maior e mais grave crise económica e financeira da nossa história democrática”.
O ministro referiu que o equilíbrio entre crescimento económico e coesão social e entre o reforço da proteção e do bem-estar social com a consolidação das contas públicas não seria possível sem que tivesse havido “um forte empenho de todos os atores e parceiros sociais na valorização da estabilidade e do clima de confiança”, dando o exemplo da estratégia de crescimento do salário mínimo. “Por diversas vezes essa estratégia foi apoiada em acordos de concertação em que sempre a UGT teve decisiva participação ativa e construtiva”.

Valores

Jorge Lacão referiu que se vive “um tempo de encruzilhada, em que muitos dos princípios e valores que julgávamos definitivamente adquiridos parecem estar seriamente postos em causa”.
Para o vice-presidente da Assembleia da República, “invocar os 40 anos da UGT é podermo-nos associar à defesa e à transmissão dos valores da liberdade, da solidariedade, do pluralismo democrático, da defesa dos direitos humanos e da tolerância contra a intolerância”.
Lacão explicou que “flexibilizar não é desregular e não é deixar de retirar direitos fundamentais que são os pilares em que se estrutura a sociedade, a dignidade humana e a dignidade de quem trabalha”.

Papel importante

Para Marcelo Rebelo de Sousa, os 40 anos da UGT são feitos “de institucionalização, afirmação como parceiro social, papel duplamente legitimador nos acordos de concertação social, com governos variados na composição e nas políticas, legitimador para os governos e o patronato e legitimador para a própria”.
O Presidente da República fez referência à dedicação de milhares de trabalhadores sindicalizados, de sindicatos, de federações e de dirigentes a todos os níveis “conjugando sensibilidades diferentes como a socialista, a social- democrata, a democrata-cristã e os muitos não partidários”.

Desafios

Percorrendo a história da UGT e os vários obstáculos que a central teve de enfrentar, “das crises mundial e europeia às crises nacionais”, Marcelo debruçou-se sobre o futuro. “Não é fácil esta era que se segue aos 40 anos de vida. O mundo precisa de não cair no unilateralismo, no protecionismo, no isolacionismo, na guerra económica que é sempre política.”
“A UGT é daquelas instituições cujo protagonismo imprescindível terá de se ajustar aos novos desafios da modernização, antecipação, rejuvenescimento, ainda mais vigorosa presença da mulher, proximidade, discurso percetível e ágil e apelo a maior participação laboral e social”, concluiu.

Comemorar através da música

A sessão solene foi abrilhantada com vários momentos musicais. Um coro de bancários, constituído pelos grupos do SBSI, BdP, Millennium bcp, Santander Totta, CGD e BPI, entoou Hino da Alegria, de Beethoven, e Pompa e Circunstância, de Edward Elgar.
Ana Teresa Cordeiro e Augusto Cordeiro brindaram os convidados com a harmonia dos seus violinos, tendo a soprano Ana Leonor Pereira, com António Ferreira ao piano, encantado com a sua voz.
No encerramento, a Filarmónica Figueiroense e o Coro de Bancários cantaram o Hino Nacional.
O conjunto de Figueiró dos Vinhos atuou também durante o corte do bolo de aniversário, que fechou com chave de ouro esta comemoração.