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Editorial

A quem interessa confundir os bancários?

13/11/2018

Acontece, contudo, que aquilo que devia ser elemento agregador de todos se transformou, lamentavelmente, num exercício de autofagia, cujas consequências poderão assumir contornos e danos irreparáveis

Rui Santos Alves​

Muito já se disse, já se escreveu ou se opinou sobre a eventual constituição de um Sindicato Nacional integrando os cinco Sindicatos que compõem a FEBASE. Desde o início da abordagem desta nova realidade, sempre foi percetível que a vontade e velocidade da sua implementação não era uniforme por parte de todos os atuais dirigentes sindicais o que, tendo em consideração a mudança profunda que causava a construção dessa nova estrutura, se afigurava como normal. A resistência à inovação e à mudança sempre fizeram parte da genética de alguns humanos!
Porém, neste caso concreto, o entendimento diferente que cada um possa ter, não pode – nem deve – contribuir para semear a dúvida e/ou a incerteza nos associados de cada Sindicato e, mais do que isso, difundir a ideia de que este processo está a ser conduzido de modo atabalhoado e precipitado. Não é despiciendo recordar que o projeto de estatutos deste eventual novo sindicato foi concertado, durante meses e meses, por representantes legitimamente mandatados pelas Direções dos respetivos Sindicatos.
Acontece, contudo, que aquilo que devia ser elemento agregador de todos se transformou, lamentavelmente, num exercício de autofagia, cujas consequências poderão assumir contornos e danos irreparáveis. Arrastar os associados de qualquer dos Sindicatos envolvidos para um mar de dúvidas sobre este novo projeto sindical, procurando desvirtuá-lo ou criando a imagem de que se trata duma irresponsável aventura configura, no mínimo, uma afronta à inteligência dos associados e serve, objetivamente, os nossos opositores, quer sejam os nossos concorrentes sindicais, quer sejam as entidades empregadoras. Convenhamos que, numa altura em que nos debatemos com o vergonhoso comportamento das Instituições de Crédito no que concerne ao aumento salarial, a transmissão destes sinais de divisão são uma excelente prenda para a quadra natalícia que se aproxima.
Fica, todavia, para memória futura, a constatação das contradições por alguns assumidas, bem como a confirmação de que o espírito regionalista muitas das vezes esconde o fervoroso apego aos poderes instalados.
No próximo dia 27 de novembro, a palavra caberá aos associados. Como sempre, a sua vontade será respeitada e, como é usual dizer-se, mais do que saber ganhar, é importante saber perder.
Naturalmente que podia utilizar este editorial para apelar ao voto "sim”. Pese embora seja essa a minha opção, não seria correto aproveitar este espaço para o manifestar de forma veemente. Esta publicação é de todos os Sindicatos da Febase e não só do SBSI e, além disso, seria abrir, para o futuro, um grave precedente.