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O estado a que chegámos

13/11/2018

Os trabalhadores aguardam pela constituição de um grande sindicato

Delmiro Carreira

Os sócios dos Sindicatos que fazem parte da FEBASE – Federação da Banca e Seguros vão ser chamados a pronunciar-se sobre a constituição de um novo sindicato de âmbito geográfico alargado a todo o território nacional e que possa também abranger trabalhadores da área da consultadoria e das tecnologias de informação.
Estas questões (âmbito geográfico e profissional) são as únicas em que parece existir consenso nas perguntas, em tudo o mais, como se pode constatar nas páginas desta revista, subsistem dúvidas, perguntas sobre as quais não existem respostas (isto na opinião de alguns), receios quanto às consequências do desaparecimento dos sindicatos tradicionais, etc..
No fundo, é a nossa “costela conservadora” a chamar-nos ao debate sobre se tudo foi bem feito, se não deveríamos ter aprofundado a discussão sobre aspetos que alguns consideram fundamentais e que são relativizados por outros e, por fim, entre outras tantas dúvidas se a nova organização tornaria a ação sindical mais forte, mais consequente e por isso mesmo mais eficaz na defesa dos interesses dos associados.
O autor destas linhas (que bem gostaria de emitir opinião sobre muitas das dúvidas suscitadas nas páginas deste número, mas que entende não o fazer em cumprimento de princípios de neutralidade que tem obrigação de respeitar e obedecer) fez parte como coordenador, em representação do Sindicato dos Bancários do Sul e Ilhas, da Comissão que elaborou um projeto de estatutos concebido desde o seu início para uma nova organização sindical onde teriam lugar os cinco Sindicatos da FEBASE.
 Em dado momento das discussões colocou-se a dúvida sobre o que fazer se algum dos Sindicatos não obtivesse “luz verde” dos seus órgãos competentes para integrar o sindicato nacional. Questionadas as Direções, a resposta de cada uma delas, ainda que com “nuances”, apontou claramente para que o processo devia seguir o seu caminho com as organizações da FEBASE que estivessem mandatadas.
Porém, porque foi esse o entendimento da Comissão, o projeto de estatutos continuou a ser elaborado no pressuposto de que todos os Sindicatos representados na Comissão fariam parte do novo sindicato.
Como é óbvio, tal facto tem consequências ao nível, por exemplo, da composição dos corpos gerentes. Previa-se que, numa primeira fase, integrassem os novos corpos gerentes todos os atuais membros dos órgãos correspondentes dos Sindicatos fusionados. Tal solução permitia manter em funções os eleitos nas assembleias de cada Sindicato e, decorridos seis meses, organizar eleições para novos órgãos, já com a composição definida para o futuro próximo, bem mais reduzida que a totalidade dos membros dos atuais dirigentes – e operando-se, assim, uma acentuada redução de dirigentes, como era reclamado por todos os intervenientes.
Parece que tal solução terá “poucas pernas para andar”, o que obrigará a rever o projeto de estatutos construído para um sindicato novo a pensar na fusão dos cinco existentes na FEBASE.
A palavra cabe às Direções de cada um dos Sindicatos.
Os trabalhadores, acredito que a grande maioria, aguardam pela constituição de um grande sindicato como o que já existiu e cujo cabeçalho do seu boletim aqui reproduzimos.