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Diálogo social

Bancos centrais preocupados com postos de trabalho

28/01/2020

Frankfurt juntou representantes sindicais dos bancos centrais nacionais e quadros dirigentes do Banco Central Europeu (BCE). Rui Lavoura e Elizabeth Barreiros representaram a secção sindical do SBSI no Banco de Portugal (BdP)

Pedro Gabriel

A 46.ª Reunião do Diálogo Social do SEBC/SSM decorreu no dia 9 de setembro, tendo começado com o discurso de Luis de Guindos, em substituição do presidente Mario Draghi. O vice-presidente teceu algumas considerações sobre a conjuntura económica atual.
De seguida, Thierry Desanois, presidente do Standing Committee, falou sobre as várias preocupações dos trabalhadores como o Brexit, as condições de trabalho precárias, a diversidade e a igualdade de oportunidades. A independência dos bancos centrais também foi abordada, nomeadamente o caso da supervisão do Banco Central da Áustria, com a ameaça de transferência de 1700 trabalhadores para uma autoridade externa.
Os sindicatos exigiram ao BCE uma tomada de decisão clara no sentido da defesa da independência do banco central.
Já Ana Maria Romano, representante da UNI-Europa, sublinhou a importância dos bancos centrais nacionais como exemplo institucional a nível da União Europeia, sendo para tal necessário “sentirmos que somos parte do mesmo projeto, não obstante as diferenças culturais”.

Futuro

No centro do debate estiveram as Fintech, bem como o futuro da moeda física com o aparecimento das criptomoedas e de novas formas de pagamento. As federações apontaram falhas claras de supervisão e regulação no sistema que suporta esta estrutura. Entretanto, crescem as inquietudes relativamente à produção, circulação e tratamento das notas, uma vez que o BCE tem-se recusado sistematicamente a abrir uma discussão séria e real sobre esta problemática, limitando-se ma apresentar questões meramente técnicas que não contribuem em nada para o cenário que se tem vindo a concretizar neste contexto.

Em nome do lucro

Segundo os representantes sindicais, todas as decisões são tomadas em prol do lucro, sendo que o BCE não tem em conta o cenário de desertificação, com a redução de postos de trabalho e de serviços públicos e encerramento de agências, sem que os sindicatos tenham como defender a força de trabalho das instituições.